quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Algo latente late intermitentemente.

Observo de soslaio uma pequena teia de aranha se formar no canto do teto com a parede. Observo atentamente essa junção feita pela construção. A sustenção para o céu limitado de um cômodo. Penso agora onde estaria o canto do céu estrelado. Tão vago, tão distante e cheio de estrelas na minha cabeça...
Com uma atenção quase que felina, vejo minha pequena aracnídea mover-se a tecer sua casa-devoradora. Minha casa, meu refúgio, tudo um suberfúgio para comer. Também me alimento sob meu teto, mas horas também fora dele, oras! O céu da minha casa agora se torna um simples indício de algo maior, maior que o céu. Tão sombrio e escuro para mim agora..
Mas a pequena trabalhadora pouco parece se importar com a quantidade de luz do dia. Sua habilidade artesanal é quatro vezes superior que a dos homens. Ah, se houvessem apreciado as aranhas como eu antigamente... Talvez a genética tivesse evoluído mais rapidamente que a engenharia 'moderna'. Investir em novos braços para otimizar o trabalho dos operários que já nem sabiam mais o que era o anoitecer. Ah, a noite... Cada vez mais densa e preguiçosa...
Choque aracnofóbico! Que precisão e discrição! Já até havia me esquecido da costura do canto da minha parede. Canto, um canto quase que ninfético. Será que o céu teria ninfas voadoras? Brisa, leve, leve, bigorna em meus olhos.

E o sono segue preso em oito patas, seguro numa teia.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

São palavras.. apenas palavras mal deglutidas, mal saciadas, mal trabalhadas.
Todos os sentimentos passaram num flash, ou guardam o temor da distância.
Num segundo, o trem-bala deixa de ser um simples doce, e aí vem a tragédia.
Uso minhas palavras com um gosto bem agridoce. Indecifrável é o sentimento.. mas também não quero a codificação. Aliás, fujo da codificação perfeita também. Tudo muito enclaurusado.

Algo desliza no meu corpo.. Há algo que circula nas minhas veias e vai contra o ritmo mensurado do coração.
As letras saem sem sentido, todas controladas por algo que a natureza dessa vez deixou a desejar.
A mistura de gostos que sinto não é normal. Nada é preto, nada é branco. O cinza é na verdade a brincadeira, a demosntração do degradê de sentimentos.

Tudo esmicuído. Joio e trigo na mesma cesta.
É soyo, é romeu e julieta num doce indissolúvel.
É amor antigo que ainda grudado nas paredes das artérias, alimentando o coração implicitamente. É amor antigo que não pode crescer, pois há enfarto.
Deixe o novo amor circular livremente, ora pois.

Nessa mistura de sangues, minha boca sente o agridoce, e minha mente assiste à confusão.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Eu tenho ambas as mãos.
Não consigo viver sem elas.
Eu tenho ambas as mãos.
Uma está em uso, mas preciso sempre da outra.
Eu tenho ambas as mãos.
E escrevo sobre isso.
Eu tenho ambas as mãos.
Por vezes achei difícil saber que tinha duas.
Eu tenho ambas as mãos.
Caminho, mas tenho minhas mãos.
Eu tenho ambas as mãos.
Não quero que o mundo saiba disso.
Eu tenho ambas as mãos.
Por mais que as coloque nos bolsos.
Eu tenho ambas as mãos.
Sempre que uma quebra, a outra sustenta.
Eu tenho ambas as mãos.
E não tenho dúvida disso.
Eu tenho ambas as mãos.
Elas fazem parte de mim.
Eu tenho ambas as mãos.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

sem título

Histeria!
Vejo uma cidade sendo abastecida com ela.
Ela figura naquele ponto mais alto, e fica dentro de uma caixa. Essa é a caixa central, e é de onde saem os canos.

Além do encanamento primário ser histérico, o secundário [onde cairão os dejetos] é composto de esperança.
Isso, jogue merda na esperança enquanto bebe de uma fonte singular.

Cidade satélite?
Não, não.. trate-se de solar mesmo.

E a Andrômedra, ao longe, não pára de ver na agenda, o dia da libertação das algemas.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Nada

O mundo é redondo
"não, ele é geóide!"
nada como um asteróide
atravessando o sol de pondo.



[Esse trecho assim mostra que além de eunão saber fazer poesia, também não sei falar do mundo]


Ponho o sol numa travessa
Astro é só quem pode
famoso escreve ode
eu devia ir embora depois dessa.

domingo, 23 de setembro de 2007

Os antônimos se completam

Não venho, por meio deste, tentar ratificar os antigos preceitos da terceira teoria de Newton; pois nenhuma maçã, até agora caiu-me à cabeça.
Porém, sendo tão casuística quanto ele, observo os fatos reais que me esbofeteiam a face.
E a tal maçã? Bem, podemos incluí-la em algum momento desta passagem.

Digo, pois, meus caros, que os opostos se atraem. Mais além, eles se completam.
Não sentiríamos tamanha felicidade na liberdade se não fosse o temor da restrição. E as situações são concretas, ora pois.
Para dar um exemplo bem banal utilizo-me do bandido. Teoriacamente ele extrapola em seu poder libertário de fazer tudo o que lhe vier na telha e rouba coisas alheias. Resultado: prisão, fim da liberdade usufruída.

Mas saiamos do mundo teórico.

O amor. Algo intermediário.
Paradoxos camonianos bem aceitos nessa questão.
Mais além que dor sem se sentir, pensemos na flor - a primitiva demonstração de romance.
Enquanto não queremos ao mesmo compasso que queremos, as pétalas vão se desfazendo, deixando, por conseguinte a lágrima.
Sim, formalmente uma flor é repleta de lágrimas [observe sua forma]. Enquanto não gastamos nenhuma delas, não sofremos, ao passo que basta um querer não mais que bem querer resultar em uma única singeleza, nos aflingimos em sofrimento.

Bem, lembram da maçã?
Não a enxergo como o 'fruto suculento que originou o pecado da carne'.
Pelo contrário. A maçã é a maturação da flor. É a abstinência sentimental. É a frivolidade natural.
Com seu tom originário [afinal o mundo se procriou graças a ela (sic)], ela encerra os sentimentos na caída.


Se estamos gravitacionalmente presos ao solo no campo consciente, é ao subconsciente que cabe a flutuação imaginária.

E vamos às maçãs- do-amor!

domingo, 2 de setembro de 2007

Redoma em pedaços

Sabe todas as conexões esdrúxulas e sem sentido que normalmente crio para explicar a vida? Descobri que todas realmente são esdrúxulas e sem sentido; mais além - são mentirosas.
Via o mundo atrás de uma redoma de vidro. Tudo era aparentemente transparente, e parecia exergar a verdade. "Nada é invisível aos meus olhos, só o essencial, vide minha respiração transloucada."
Acontece que a redoma não é igual a realidade: existe uma camada de vidro separando tudo. E, por viver nesse cubículo, além de enxergar coisas de realidade distorcida (estudos físicos que não cabem ser citados), era um espaço muito limitado.
Não tinha nem noção da verdade; era tido como se tivesse. Que situação mais cruel!

Hoje percebo o anti-clímax da minha vida. Na verdade, a percebo como ela é.
Os vidros envolventes se partiram num ritual Carrie, a estranha masoquista.
Sinto a dor dos cacos penetrando a minha pele - mas não os meus olhos.
Hoje sinto o ar puro e verdadeiro nos meus pulmões - não os "purificados por algum sistema de melhoramento de ar redomal".
E, para ser realista, não sei preferia sê-lo.
Carrie morre no final do filme.
Ou será que essa é a minha verdadeira epifania?